quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O PAPEL DO PROFESSOR NA SOCIEDADE ATUAL

O texto a seguir foi retirado da página da Tribuna do Norte on line e trata-se de uma reflexão importante sobre o papel do educador atual. Confira:

Denise Caballero da Silva - Professora e Socióloga
Diante da realidade vivenciada atualmente em sala de aula, podemos afirmar que a função do professor ultrapassa os muros da escola. Nos questionamos então, qual é realmente a função social da escola, atualmente? Porque é tão difícil fazer com que o professor possa realizar a sua prática à qual é  mediar seus alunos em busca  do conhecimento de forma crítica, para então termos cidadãos atuantes numa sociedade? Porque  hoje a nossa escola é tão vítima de  violência seja implícita ou explicitamente? Frente a tantos questionamentos muitas vezes sem respostas concretas, nos resta analisar, possíveis causas de tantos desconfortos atualmente enfrentados pelo professor na prática da sua profissão.
As notícias que nos chegam constantemente, nos mais variados meios de comunicação denunciam que a violência, o descaso, a apatia, a indisciplina são os comportamentos mais vistos nas escolas de todo o país, são crianças e adolescentes que perderam o encanto e o verdadeiro sentido do que é realmente estudar, ir à escola. Há variadas causas, elas podem vir das famílias desestruturadas, onde pai e mãe já não existem. Nos lares atualmente o que se vê   são crianças abandonadas, em função de uma sociedade consumista  onde a busca pelo poder aquisitivo fala mais alto que os valores morais e éticos, assim pais saem para buscar desesperadamente  o dinheiro  para dar mais e mais  bens materiais, enquanto seus filhos ficam em companhia  da televisão, da internet,  nos  jogos eletrônicos. Muitas vezes o que realmente importa para essas crianças  é o amor e carinho de seus pais. Assim crianças e adolescentes crescem em busca de algo que compense o vazio causado pela sociedade que mais possui, o superconsumismo.
Partindo dessa perspectiva de primeira instituição social falida, nos voltamos a analisar então a escola, a próxima instituição que acolhe essa criança e adolescente, sem  diferenciar ensino público ou privado, classe menos favorecida ou classe alta, pois a realidade de  desvios de comportamento vem de todas as instituições escolares atualmente no país, vemos então uma escola   que enquanto pública enfrenta todas as dificuldades de um ensino escamoteado, prédios mal cuidados, merendas à desejar, professores e funcionários desmotivados  e escolas particulares muitas vezes com uma estrutura física e de pessoal bem melhor, porém repassa apenas o que a família faz em casa.
É tudo muito lindo, porém falta o principal: o afeto, o carinho, e o verdadeiro comprometimento dos profissionais de educação para com seus alunos, muitas vezes por esse profissional estar extremamente sobrecarregado, tanto na esfera pública quanto privada, carga horária excessiva, salários baixos, a sociedade da tecnologia e informação cada vez mais exigentes, conteúdos cada vez mais extensos e passíveis a mudanças constantes  frente a sociedade da mídia, sobra pouco tempo e espaço para fazer o que realmente é necessário cultivar: os valores morais e éticos aonde eles já não fazem mais tanta importância  diante do dia-a-dia corrido em busca do ter cada vez mais.
Esse professor então necessita ser pai, mãe, educador, recreador, amigo, profissional, psicólogo, muitas vezes mágico, para fazer simplesmente o que a sociedade toda espera  dele, mediar o conhecimento até seus, problemáticos, carentes, violentos, tímidos, desligados.... seus alunos.